segunda-feira, 23 de novembro de 2009

O CAMINHO

No caminho que trilhamos pedras existem
Para lembrar as dores da longa jornada.
A chuva e o vento aos viajantes insistem
Em lembrar as lágrimas derramadas na estrada.

Monstros criados contra nós mesmos
Nos visitam e espreitam pela madrugada
No futuro ou passado, uma família a esmo?
Ariadne perseguida ou um labirinto ao nada?

Torres erigidas ao erro desconhecido
Muralhas erguidas pela sinceridade
Sincerocídios inverossímeis pela incompreensão punidos
Orgulho imolado no altar da vaidade.

Mas as pernas doem e o coração aperta
E este caminho parece o derradeiro
O cansaço, a fome, a vista deserta
As forças se vão ante o desespero.

Não há mais tempo para retornar
Ao altruísmo inocente pelo orgulho enganado
Mas se o infante no intuito durar
Talvez entenda o seu duro legado.

O sentido do caminho é caminhar
Mesmo que duras as provas à espera
Não há promessas a cumprir ou sanar
Apenas há o sentimento que do coração se apodera.

Ser si mesmo e continuar sendo
Amar quem ama e continuar amando
Viver a vida e continuar dizendo
Que o sentido de amar é continuar caminhando.

4 comentários:

Leandro de Assis disse...

parabéns mestre, bonito texto...

Rafaella Poncino disse...

Amar quem ama e continuar amando....
Adorei!!

nei disse...

entendo que a dor é companheira da imcompreensão, mas a arte serve de válvula de escape. belíssima poesia!

Carlos Barros disse...

Tão intertextual com a realidade concreta...
Gosto m uito de seus escritos, Grigório.
Mensagem e forma!
Axé para você!