quarta-feira, 4 de novembro de 2009

MORTALHA

Se achas que te agride a roupa que visto
Não agrido a ti, mas a tua insegurança
E a hipocrisia da sociedade sem esperança
Que ainda resiste à liberdade que conquisto.

Não posso interpretar o papel que me relegas
A santidade aparente e a falsidade casta
A casa e a cozinha, nem a maternidade basta
Pois vivo para gozar o direito que me negas.

Mesmo acuada num canto escuro da sala
Me manterei de pé ante o pelotão
Prefiro o fuzilamento à moderna escravidão
Sendo a serviçal que, ao teu desejo, cala.

Santa na rua e puta na cama?
Não encobrirei o que esconde a tua moral
Minha mortalha é um manifesto liberal
Que a inveja alheia e o embrutecimento inflama!

6 comentários:

Carlos Barros disse...

Grigório, a moral é isto: uma formulação que representa interesses bem determinados e determinantes; seu poema desvela.
Parabéns!

Givanildo Souza disse...

O que eu mais aprecio nos poetas é a sinceridade e a intensidade. Tu expressa muito bem isso.

Abraços!

âmbiente trabalho e lazer disse...

adorei ate roubei p o orkut rsrsrsrs

Delirium disse...

Como diria Augusto "É a evolução do novo para o velho(...)" e me questiono se caminhamos, às cegas, para o retrocesso. Esse poema é um grito e clama por reflexão. Cada dia me surpreende mais o teor libertário de sua arte e percebo que você é um exemplar raríssimo do espécime humano, que não se cala ante as injustiças. "Eloqüentíssimo" recado, meu caro!

Cabal disse...

é isso aí, a palhaçada está armada, podemos ter na tv putarias em horário infantil, nobre, eleitoral e o scambau, agora fazem isso por causa de um vestido? o grande problema é que ninguém olha pro umbigo, poi ele esta escondido na camisa, será que sair com o umbigo de fora pode?

Leandro de Assis disse...

campeão, agora sim eu estou no verdadeiro poesiasdoabsurdo o outro é fraquinho perto desse aqui rsrs parabéns pelo poema... demaisss