quarta-feira, 18 de maio de 2011

O VERME

Na solitude e no silêncio dessa noite fria
Quando tanta falta o teu beijo me faz
Meu desejo, que sempre foi tão voraz,
É imensamente maior do que tua insegurança previa

Se nosso "estar no mundo" parece diferente
E as tempestades vêm como vão embora
A emoção que do meu coração aflora
Sob os lençóis só avista o teu olhar ardente

Vida tão boa quando esse olhar ardia
Entrelaçando o amor com essa picardia
De saliva deslizando em tua epiderme

Por isso, para mim, não existirá martírio
Pois o que eu quero é me afogar em teu doce delírio
E quando eu morrer, o que restar, fica para o verme!

4 comentários:

Delirium disse...

Que leitura deliciosa! Todos esses elementos, o frio, a solidão, o desejo, todos eles nos remetem à uma sensação de tristeza e ao longo do poema somos levados à enveredar por outros caminhos: a vida, o beijo, a pele, a saliva... E assim é a própria vida, uma passagem constante, o desejo, a picardia, o olhar ardente, o verme e a morte são inerentes à vida. Ai, adorei!

vinnicorrea disse...

Gostei das poesias, parabéns Grigório.

Vinni Corrêa
www.vinnicorrea.com

Pinho Sannasc disse...

Uma abordagem poética bastante perspicaz da solidão, dos anseios e principalmente das emoções. Comentar o autor é simplesmente vão, sua qualidade textual e a sua sobriedade poética dispensam comentários e estas são colocadas com extrema perícia. Quanto ao texto, este por si só se comenta, pois traz consigo um encanto particular que transcende a própria poesia.
Maravilhosa leitura

Cabal disse...

O verme não vai levar a melhor parte, isso sim é importante. Parabéns Greg´s.

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Cultura na web, creio que irá gostar.