segunda-feira, 27 de setembro de 2010

PÁLIDOS MISTÉRIOS

Folheando as páginas de um livro encontrado
Entre o mofo e a poeira d'um jardim misterioso
Encoberto pelo musgo, um trabalho primoroso
Esplendidamente escrito e finamente ilustrado

Descobri mistérios duma profundidade alucinante
Que arrepiam a alma num tremor cabuloso
E cujos segredos nenhum iniciado ansioso
Deve revelar antes do amanhecer radiante

Triste sina de um cavaleiro errante
Neófito escravizado num sortilégio arrepiante
Na infindável noite deste volume empoeirado

Cada palavra lhe acentua uma febre delirante
O mistério ali encerrado proclama um aviso incessante:
"O poder em que se funda não deverá ser revelado!".



Poema dedicado ao grande mestre H.P.Lovecraft.

4 comentários:

Carlos Barros disse...

"Os livros são objetos transcendentes, mas podemos amá-los com o amor táctil que votamos aos maços de cigarros..."
Caetano Veloso, na canção Livros.

Acho que seuy poema também se refere ao universo dos livros e seus prazeres múltiplos...

Parabéns, Grigório!
Gosto de como você escreve e como recupera o formato do Soneto com carinho!

LUZ para você!

Delirium disse...

O seu Pálidos Mistérios me fez lembrar o Jerusalem's Lot do mestre Stephen King.
King, sem dúvida, também teve lá seus mestres...

mari disse...

acabei de chegar de sintra e essa poesia reflete o sentimento que sinto agora livros velhos misterio de um passado ja passado enfim conhecer sintra e lisboa lhe leva as vezes a ser um pouco poetico ou poetisa amei sua poesia um abraço

Marcio Neri disse...

Foi digno ao mestre Lovecraft.